Apneia do sono

Sinais de apneia do sono: 10 sintomas que passam anos ignorados

Os sinais mais comuns da apneia do sono são ronco frequente, cansaço que não melhora, sonolência durante o dia, irritabilidade, perda de memória, boca seca, dor de cabeça ao acordar, ganho de peso inexplicável, hipertensão e queda da libido. Se você se identifica com três ou mais, é sinal de alerta: vale investigar com um exame de sono.

Para quantos médicos você já reclamou que não dorme bem? Comentou o ronco, a boca seca, o cansaço, e ninguém deu a mínima? Essa jornada longa, consulta atrás de consulta durante anos antes de alguém pedir um exame de sono, é o que eu mais vejo no consultório. E não é má vontade dos colegas: muitas vezes é falta de formação em fisiologia e medicina do sono.

Prefere assistir? Este artigo nasceu deste vídeo do canal.

Sou a Bianca, fisioterapeuta respiratória, há mais de 15 anos ajudando pessoas com apneia do sono e CPAP. Vou direto ao ponto: os 10 sintomas que esses pacientes têm em comum, e o teste rápido que eu faço com quase todos eles.

1. Ronco: a ponta do iceberg

É muito difícil o ronco ser o mocinho da história. Quem ronca com frequência normalmente tem apneia obstrutiva do sono em algum grau. Se você ronca, ou se as pessoas da casa comentam que você ronca, leve a sério: não é motivo de chacota, é o sinal de alerta número um.

2. Cansaço que não passa

Acorda quebrado, como se um trator tivesse passado por cima. Sem disposição para trabalhar, para treinar, para nada. E tem o disfarce clássico: “você é bom de cama, encosta e dorme em qualquer lugar”. Isso não é elogio. O sono da noite deveria ser suficiente para te manter desperto ao longo do dia; um cochilo de 15 minutos depois do almoço vai bem, um cansaço quase incontrolável, não.

3. Sonolência durante o dia (faça o teste agora)

Cansaço e sonolência são coisas diferentes, e a sonolência tem teste. É a Escala de Sonolência de Epworth, que eu aplico em quase todos os pacientes. Pegue papel e caneta e dê uma nota de 0 a 3 para a chance de cochilar em cada situação: 0 é nenhuma, 1 pequena, 2 moderada, 3 com certeza.

SituaçãoSua nota (0 a 3)
Sentado, lendo
Vendo TV (ou no celular)
Sentado em local público: fila, reunião, sala de espera
Como passageiro de carro, por 1 hora
Deitado para descansar à tarde
Sentado, conversando com alguém
Sentado depois do almoço, sem álcool
Dirigindo, parado no trânsito ou no sinal

Some os pontos. Deu 10 ou mais? Alto risco de distúrbio de sono. E a sonolência diurna é o sintoma mais perigoso da lista: está associada a acidentes de trânsito e queda de rendimento. Não deixe passar.

4. Irritabilidade sem motivo

Quem tem apneia sofre microdespertares a noite toda: o cérebro volta à atividade a cada evento, mesmo sem abrir os olhos. Isso cansa, e pessoa cansada é pessoa irritada. Se o seu pavio anda mais curto que o normal e o que você recebeu até agora foi ansiolítico, calmante, vitamina B12, zinco e magnésio, sem ninguém investigar o seu sono, essa pode ser a peça que falta. Não foram cinco nem dez pacientes que passaram por isso no consultório: foram dezenas.

5. Perda de memória

É no sono profundo que o cérebro fixa a memória e faz a limpeza de toxinas do sistema nervoso central. Quem dorme mal não rende o próprio potencial: pensa pior, esquece mais, se concentra menos. Antes de assumir que é déficit de atenção, vale descartar o sono, principalmente se esse diagnóstico nunca foi fechado por um profissional capacitado.

6. Boca seca ao acordar

A língua colando no céu da boca, a garganta ardendo. A explicação mais comum não é falta de água: é passar a noite roncando e respirando de boca aberta. E o ressecamento oral não é só desconforto; respiração bucal crônica abre porta para cáries e infecções.

7. Dor de cabeça pela manhã

A pessoa troca o travesseiro, culpa o barulho, a temperatura, vai ao neurologista, e a causa pode estar nas pausas de respiração durante a noite. Se você dorme uma quantidade adequada de horas e ainda assim acorda com dor de cabeça, e o seu neurologista ainda não pediu uma polissonografia, vale a conversa.

8. Ganho de peso inexplicável

“Bianca, nos últimos dois anos eu engordei 20 quilos.” Eu ouço isso com frequência. Quando o sono é interrompido o tempo todo, o cérebro entende que você está em vigília gastando energia, e dispara o comando de poupar: é o famoso “metabolismo baixo”. Some o cansaço, a ansiedade e a fome que vêm junto, e vira bola de neve. E o pior: quanto mais peso, pior a apneia. Esse ciclo só quebra com exame e tratamento.

9. Hipertensão, principalmente à noite

Aqui, palmas para os cardiologistas: são os que mais encaminham pacientes para o exame de sono. Quando o MAPA (monitoramento de pressão por 24 horas) ou o Holter mostram picos de pressão justamente durante o sono, algo está errado. Não é para ter pico hipertensivo dormindo. Em muitos casos, tratar a apneia permite ao médico reduzir a medicação depois, com acompanhamento.

10. Queda da libido e impotência

Não precisa ser tabu. A apneia mexe com a cadeia hormonal inteira: testosterona, GH, cortisol, serotonina, tudo depende de um sono que funcione. Junte a fadiga e a ansiedade, e a impotência sexual pode ser mais um sintoma da mesma causa, que ninguém investigou.

O caso que resume tudo

Recebi no consultório uma paciente de 67 anos, magra, que a família inteira sabia que roncava muito. Ninguém ligava: “é só ronco”. Ela tratava hipertensão, vivia cansada, já não rendia no trabalho. Em agosto de 2025, ela teve um AVC durante o sono. Só depois do AVC fizeram a polissonografia, que mostrou apneia do sono grave. Hoje, com o CPAP e a reabilitação, ela está se recuperando bem, mas vai ser uma jornada de anos.

O que esse caso ensina: apneia grave não espera. Ela estava lá, dando sinais, muito antes do evento. E repare: uma paciente magra, porque apneia não é coisa de gente acima do peso, nem de velho.

Marcou três ou mais? O próximo passo é um só

Não é sair tomando vitamina, nem colecionar consultas por mais dois anos. É investigar o sono com um exame, a polissonografia, que hoje é acessível e pode ser feito em casa. Se o resultado confirmar a apneia, o tratamento padrão ouro é o CPAP: não medicamentoso, direto na causa.

Se você não sabe por onde começar, ou já fez o exame e está perdido com o resultado, eu posso te ajudar: fale comigo no WhatsApp e a gente encontra o melhor caminho para o seu caso. Você não merece viver cansado achando que isso é normal.

Quer isso aplicado ao seu caso?

Conteúdo ajuda, mas cada caso é um caso. Do exame domiciliar à adaptação completa ao CPAP, com acompanhamento humano.